Entre a Sandy e a Mallu

Pode ser cantora, atriz ou qualquer outra que cresceu aos olhos alheios. Em algum momento, ela bradará que “cresci, quero que me vejam como mulher”. Com isso, haverá uma profusão de ensaios sensuais, declarações sexuais, caras e bocas. “Viram como eu cresci?” Não, não cresceu.

A moça se enfurece. “Estou cansada! Ninguém reconhece que já sou uma mulher.” Claro que não reconhecem… Ser mulher resume-se a fazer biquinho e contar que gosta de transar?

Até que ressurge aquela que era mesmo uma menina. Na voz, na música, no jeito. E lança um clipe assim.

Tantos disseram: “Nossa, ela cresceu!” Para isso, ela não precisou subir na mesa do bar, declarar-se devassa, tampouco contar aquilo que faz.

Como bem disse Beauvoir, “Não se nasce mulher, torna-se”. Desenvolver o que isso significa é um longo caminho que não cabe em um texto. Mas, sem dúvida, está muito além de mostrar-se como um ser sexual.

Quem sabe a Mallu tenha ensinado alguma coisa a quem, ainda, pensa assim.

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